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Combatendo a Dengue, Zika e Chikungunya

Nos últimos tempos, temos sido bombardeados com uma enxurrada de notícias alarmantes sobre o aumento dos casos de dengue e chikungunya, e os desdobramentos desastrosos que acompanham esses surtos. Desde a escassez de sangue em hospitais de Minas Gerais até o desenvolvimento vertiginoso de mais de 1000% nos casos de Dengue no Província Federalista, a situação tem gerado uma preocupação crescente entre autoridades e cidadãos. A Ministra da Saúde, Nísia Trindade, expressou sua mortificação com a proximidade do carnaval, o retorno às aulas e o agravamento da situação da dengue. Em declarações recentes, a Ministra enfatizou que “a vacina é nosso instrumento de esperança em relação a um problema de saúde pública que tem quase 40 anos”. Ela também ressaltou que, embora as primeiras doses da vacina contra a dengue estejam sendo disponibilizadas pelo Sistema Único de Saúde (SUS), essa não é a única estratégia para moderar o progresso dessas doenças, já que o sistema público ainda não dispõe de doses suficientes para abranger a maior segmento da população.

Não há dúvidas de que a vacinação é uma das melhores ferramentas na luta contra doenças infecciosas uma vez que a dengue, zika e chikungunya. Entretanto, uma vez que engrandecido em um item publicado na revista científica “Frontiers in Immunology” ( pelo grupo de pesquisa que coordeno na USP, ela não é a única. Uma estratégia integrada é necessário para enfrentar essas viroses. Não podemos nos dar ao luxo de nos apegar a uma única solução, seja ela a espera por uma vacina milagrosa ou uma medicação salvadora. O combate eficiente à dengue, chikungunya e outras doenças transmitidas por mosquitos requer uma abordagem multifacetada que aborde não somente o desenvolvimento de vacinas e medicamentos, mas também medidas de controle de vetores, ensino pública, saneamento fundamental e outras estratégias de prevenção e controle. Neste contexto, é necessário reconhecer a complicação desses desafios e adotar uma abordagem holística que ligeiro em consideração todos os aspectos envolvidos no controle dessas doenças.

Vamos explorar um pouco mais sobre essas viroses, conhecidas uma vez que arboviroses, que são doenças virais transmitidas por artrópodes, uma vez que o mosquito Aedes aegypti. Elas representam um sério repto para a saúde pública, mormente em regiões tropicais uma vez que o Brasil, onde os vetores competentes, uma vez que o A. aegypti, são amplamente encontrados. Os sintomas incluem febre, dor de cabeça, dores articulares e erupções cutâneas, podendo evoluir para casos graves com risco de vida. A semelhança na sintomatologia entre essas viroses destaca a relevância do diagnóstico preciso para orientar as medidas adequadas.

Aliás, é crucial considerar a distribuição geográfica dessas viroses. Por exemplo, o vírus da dengue é o arbovírus mais prevalente globalmente, afetando mais de 100 países tropicais e subtropicais. Esta guerra contra a dengue é longa e fundamental, mormente à luz da pandemia de Covid-19, que evidenciou os perigos das viroses quando não enfrentadas de forma coordenada e unificada entre nações.

Não se engane pensando que o problema está restrito somente à dengue. O vírus Zika é outro arbovírus patogênico emergente que foi identificado pela primeira vez em 1947 na floresta Zika, em Uganda. Antes de 2007, era divulgado por suscitar uma doença febril ligeiro em um pequeno número de pessoas em países da África e partes da Ásia. No entanto, desde logo, o vírus se disseminou por vários países e, em 2014, chegou ao Brasil e outras regiões das Américas, provocando rebate mundial ao ser associado à microcefalia em recém-nascidos. Além da transmissão pelo mosquito Aedes, estudos revelaram outras formas de transmissão, uma vez que por transfusão de sangue infectado, transmissão sexual e transmissão de mãe para fruto, dificultando ainda mais o controle da virose.

O vírus Chikungunya foi identificado inicialmente em 1952 durante uma epidemia na Tanzânia, sendo só de mosquitos Aedes e Culex em 1953. Atualmente, o CHIKV está presente em mais de 100 países, com surtos frequentemente relatados no Brasil e em outros lugares. No entanto, ele não se limita a “países de classe média e baixa”. Na Europa, por exemplo, mutações no vírus permitiram sua adaptação para ser transmitido por um “novo vetor”, o Aedes albopictus, presente em regiões temperadas. Isso resultou em surtos em países europeus, uma vez que Itália e França.

Voltando nossa atenção para o cenário brasiliano, conforme engrandecido no item científico que serve uma vez que base para esta material, mais de um milhão de casos são notificados anualmente somente nas Américas, sendo a maioria desses registros proveniente do Brasil.

Diante da complicação dessas viroses, é crucial compreender detalhadamente a biologia dos arbovírus, sua interação com os vetores e hospedeiros, muito uma vez que sua história, para desenvolver estratégias integradas de controle de forma eficiente. Diversos fatores contribuem para o surgimento desses arbovírus, incluindo o desenvolvimento populacional em áreas urbanizadas sem planejamento, as mudanças climáticas e a adaptação genética viral. Além da transmissão entre artrópodes e humanos, esses vírus podem infectar uma ampla variedade de espécies animais, tornando praticamente impossível sua erradicação completa.

Portanto, é necessário investir no desenvolvimento de diversas vacinas eficazes contra os quatro sorotipos da dengue, além do Chikungunya e Zika, e desenvolver terapias antivirais. Esse é um repto significativo, porém, com investimento contínuo e correto na ciência, é verosímil superar esses e muitos outros obstáculos.

Também é fundamental implementar estratégias interativas de controle vetorial, envolvendo a participação ativa da sociedade, do setor público e privado. Essas questões são complexas e requerem o envolvimento de equipes multidisciplinares para o planejamento e realização de projetos a pequeno, médio e longo prazo. São projetos estruturais que envolvem ensino, planejamento de realização e aprimoramento com base nos resultados obtidos.

À medida que enfrentamos os desafios complexos apresentados pelos arbovírus, torna-se simples que uma abordagem holística e colaborativa é imperativa. A integração de avanços na pesquisa antiviral, desenvolvimento de vacinas eficazes e métodos inovadores de controle de vetores, juntamente com programas de vigilância robustos, fortalece coletivamente a resguardo global. Essa frente unificada não somente previne surtos imediatos, mas também estabelece as bases para uma abordagem resiliente e adaptativa no combate aos futuros desafios dos arbovírus.

Combatendo a Dengue, Zika e Chikungunya
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