Curiosidades

“Bruxas da Noite”: as pilotos soviéticas que bombardeavam a Alemanha de madrugada na 2ª Guerra

  (Sovfoto/Getty Images)

Em 1936, a União Soviética aprovou sua novidade Constituição, apelidada mundo afora de Constituição Stalinista em homenagem ao seu principal responsável, Josef Stalin. Entre suas principais mudanças estava a inclusão das mulheres uma vez que detentoras de direitos iguais aos dos homens em todas as esferas da vida social, política e econômica.

Em segmento, essa mudança vinha dos princípios marxistas de coletivismo e paridade pregados por Lênin, morto em 1924. Mas havia, também, um fator estratégico: depois as fortes perdas civis e militares durante a 1a Guerra Mundial (entre 2 e 3 milhões de soviéticos morreram), as mulheres eram necessárias na luta armada que se desenhava contra a Alemanha nazista.

Muitas dessas esposas, filhas e mães deixaram a vida doméstica e foram trabalhar na indústria, no negócio e no transporte. A partir de 1939, quando a lei militar passou a permitir, outras delas foram para o tropa, atuando uma vez que médicas, enfermeiras, operadoras de informação e, eventualmente, soldados. Não é que o machismo tenha terminado do dia para a noite: é que, sem a ajuda delas, a União Soviética não teria chance nenhuma.

Quando a 2a Guerra Mundial estourou, em 1939, Hitler e Stalin tinham um negócio de não-agressão, o Pacto Molotov–Ribbentrop, assim batizado em homenagem aos ministros que o assinaram. A Alemanha manteve o pacto até junho de 1941, quando bombardeou a segmento oeste do território soviético, dando início ao combate entre as duas potências.

Foi um ano terrível para Stalin: mal treinado e mal equipado, seu tropa perdia 19 milénio soldados por dia. Alguma coisa precisava ser feita.

Surgem as bruxas

Desde 1923, a União Soviética vinha criando uma tradição aérea com organizações paramilitares e clubes de voo onde jovens eram treinados para pilotar, combater e fazer manutenção de equipamento. Em 1941, um quarto desses pilotos treinados eram mulheres. A misoginia era poderoso: mesmo tendo um desempenho tão bom quanto o dos homens, muitas dessas profissionais eram relegadas a posições de segundo projecto.

Entre as vozes que protestavam sonoramente contra esse tratamento estava a de Marina Raskova, conhecida uma vez que a Amelia Earhart da União Soviética. Uma das melhores pilotos do país, ela pediu ao governo que criasse unidades aéreas “formadas com mulheres pilotos voluntárias”. Seu pedido ecoou na sociedade soviética e o governo passou a receber cartas de outras cidadãs que apoiavam a medida.

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Com Berlim se aproximando mais e mais, o Kremlin, sem muita opção, acabou aprovando a iniciativa. O histórico réplica de Raskova e o vestimenta de ela ter chegada a Stalin (o líder político era fã dela) são fatores que podem ter desempenhado um papel significativo na aprovação final.

Em outubro de 1941, a União Soviética estabeleceu seus três novos regimentos aéreos, todos compostos exclusivamente por mulheres: o 586º de Caças, o 587º de Bombardeiros de Mergulho e o 588º de Bombardeiros Noturnos. Raskova foi promovida ao posto de major e supervisionou a geração de cada um deles, muito uma vez que o treinamento de suas integrantes. Uma figura influente, seu nome foi suficiente para que muitas colegas aviadoras (e algumas amigas próximas) atendessem ao chamado.

A maioria das mulheres que se juntaram ao regimento depois o pedido inicial de Raskova já havia sido treinada pela Osoaviakhim (organização paramilitar) ou eram instrutoras conceituadas de diversos aeroclubes. As voluntárias que não tinham qualificação para voar foram incorporadas uma vez que mecânicas, pessoal de escora e aprendizes de piloto.

A vida no front

Ao chegarem, as mulheres eram obrigadas a trinchar o cabelo dois dedos supra da risco da ouvido — um sacrifício da feminilidade em nome da praticidade. Elas recebiam menos comida que os homens e tinham alojamentos menos equipados para mourejar com o indiferente brutal do inverno.

“Não usávamos meias, exclusivamente panos para os pés — grandes panos parecidos com ataduras. Tínhamos que apropriar nossos uniformes na costura; eram uniformes masculinos e não serviam… No moca da manhã, comíamos um pedaço de pão sequioso. Trabalhávamos tanto, dormíamos tão pouco e comíamos tão pouco que, enquanto eu trabalhava, lágrimas corriam pelo meu rosto”, relatou a tenente sênior Mariya Akilina em suas memórias.

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O treinamento também era brutal: um curso de aviação que deveria porfiar três anos precisava ser ensinado em três meses e meio. As voluntárias aprendiam a pilotar, velejar, bombardear, lutar corpo a corpo e a pular de paraquedas, sempre sob a supervisão de Raskova.

Na calada da noite

Tapume de 400 voluntárias entraram para o 588º regimento, o de bombardeiros noturnos. Porquê não havia numerário para aeronaves sofisticadas, tudo que elas tinham a seu dispor eram os Polikarpov Po-2, pequenos aviões de madeira usados para espalhar pesticida. Apesar das limitações, eles eram silenciosos e pequenos demais para serem detectados por infravermelho ou radar. Porquê não tinham rádio, eram indetectáveis por rastreadores também.

Cada avião abrigava duas pessoas (uma piloto e uma navegadora) e duas bombas. Por pretexto do peso das bombas, as aeronaves só conseguiam voar grave, a no supremo 1.200 metros de altitude, o que obrigava suas missões a serem noturnas, para dificultar a detecção.

De madrugada, essas aeronaves partiam em suas missões furtivas, procurando pontos estratégicos ao longo da frente oriental. De negócio com a historiadora Lyuba Vinogradova, os ataques eram muito rápidos e sucessivos: “a cada quatro minutos, um avião partia, bombardeava o escopo e iniciava sua volta, com outra avião assumindo seu lugar”.

Ao se aproximarem do inimigo, elas desligavam os motores, de modo que só se ouvia o escorregar do ar sobre as asas, uma vez que se fosse uma vento. As bombardeiras ganharam dos alemães o sobrenome de “Die Nachthexen”, ou “Bruxas da Noite”, porque suas aeronaves de madeira eram comparadas a vassouras, enquanto suas táticas davam a sentimento de que podiam nascer e desvanecer sem deixar rastro.

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As mulheres realizavam de oito a dezesseis missões por noite, cada uma com duração de 30 a 50 minutos. Geralmente, atacavam em duplas: enquanto o primeiro avião atingia as luzes de procura que apontavam para o firmamento, o segundo atingia o escopo principal. Devido a essa rotina, elas descansavam durante o dia e trabalhavam à noite, obrigando o inimigo a permanecer alerta nesse horário. Inclusive, atrapalhar o sono dos nazistas era segmento da sua missão.

Nem sempre dava evidente: às vezes, os inimigos as avistavam. Nadezhda Popova, uma das mais famosas Bruxas da Noite, certa vez retornou de uma missão com 42 buracos de projéctil em seu avião. 32 integrantes das Bruxas da Noite foram mortas em serviço, incluindo Marina Raskova.

De junho de 1942 a outubro de 1945, as Bruxas da Noite realizaram aproximadamente 23.672 missões de combate, totalizando 28.676 horas de voo, e lançaram mais de 3.000 toneladas de bombas e 26.000 projéteis incendiários. Danificaram ou destruíram 17 travessias de rios, 9 ferrovias, 2 estações ferroviárias, 26 armazéns, 12 depósitos de combustível, 176 carros blindados, 86 posições de tiro preparadas e 11 holofotes. Aliás, realizaram 155 lançamentos de suprimentos com mantimentos e munições para as forças soviéticas.

Elas prestaram escora airado a muitas das campanhas da frente oriental, incluindo a guerra de Stavropol, a resguardo do Cáucaso do Sul, a libertação de Novorossiysk e a libertação de Gdańsk, muito uma vez que operações nas ofensivas da Crimeia e da Bielorrússia. Suas campanhas de bombardeio também auxiliaram as forças armadas soviéticas na conquista de Stalingrado (atual Volgogrado).

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Depois a guerra

Ao longo da guerra, o 586º e o 587º regimentos acabaram incorporando homens também, mas o 588º permaneceu exclusivamente feminino, um motivo de orgulho para suas integrantes. Em 1943, as Bruxas da Noite se tornaram oficialmente o Quadragésimo Sexto Regimento de Aviação de Bombardeio Noturno da Guarda, uma saliência importante em comemoração a seus feitos.

Em setembro de 1945, a Segunda Guerra acabou. Em outubro, o regimento foi oficialmente dissolvido e as mulheres foram imediatamente diminuídas novamente na jerarquia social e militar: elas não puderam nem sequer participar do desfile de vitória da União Soviética.

“Havia sido vantajoso recorrer às milhares de mulheres com habilidades mecânicas, técnicas e médicas na União Soviética quando a situação era sátira, mas uma população feminina mobilizada era considerada uma ameaço à sociedade soviética. Mais de oito milhões de soldados do Tropa Vermelho haviam perecido nas mãos das forças nazistas e as taxas de natalidade em todo o país haviam tombado drasticamente devido ao número de homens enviados para a frente de guerra. Assim, o Kremlin precisava que as mulheres voltassem a ter filhos em vez de continuarem lutando”, afirma a historiadora Elizabeth Franken.

A história das Bruxas da Noite permaneceu obscurecida por décadas até que, em anos mais recentes, os relatos sobre seus feitos e suas participantes começaram a surdir. Reconhecida ou não, a coragem do 588º regimento, assim uma vez que sua técnica e sua resiliência, foram essenciais na vitória soviética durante a Segunda Guerra Mundial.

“Bruxas da Noite”: as pilotos soviéticas que bombardeavam a Alemanha de madrugada na 2ª Guerra
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