Tecnologia

Luas geladas abrigam oceanos ferventes que podem conter vida

 Encélado, de Saturno, é uma das luas do Sistema Solar que podem abrigar um oceano fervendo abaixo da crosta congelada. Crédito: Imagem gerada por IA/Gemini

Siga o Olhar Do dedo no Google Discover

Um item publicado nesta segunda-feira (24) na revista Nature Astronomy sugere que pequenas luas geladas do Sistema Solar podem esconder oceanos que chegam a ferver sob suas superfícies. A invenção reforça o interesse científico por esses mundos remotos, vistos porquê possíveis candidatos na procura por vida extraterrestre devido à presença de chuva líquida.

Estudos anteriores já haviam proposto que algumas luas, porquê Encélado, de Saturno, não são blocos congelados por completo. Entre o gelo extrínseco e o núcleo rochoso, elas podem vigilar enormes reservatórios de chuva. E, porquê a presença de chuva costuma ser um dos principais indicadores de ambientes favoráveis à vida, esses oceanos escondidos se tornaram alvos promissores para futuras explorações científicas.

Estudo inédito sugere que Ariel, uma lua congelada de Urano, pode ter confortado um oceano com tapume de 170 km de profundidade. Crédito: Kevin M. Gill / Wikimedia Commons

Em resumo:

  • Pesquisadores apontam que luas geladas do Sistema Solar escondem oceanos subterrâneos ferventes;
  • Essas águas profundas atraem o interesse científico pela possibilidade de acoitar vida extraterrestre;
  • Novo estudo investigou porquê o gelo muda ao longo de eras, analisando o afinamento provocado por interações gravitacionais contínuas;
  • Pressão reduzida pode conseguir ponto triplo e iniciar “ebulição fria”;
  • Essa fervura superficial pode liberar gases que ajudam a moldar a superfície.

Cientistas analisaram o afinamento das camadas de gelo 

Para investigar porquê os oceanos subterrâneos se comportam, o geofísico Maxwell Rudolph, da Universidade da Califórnia em Davis, EUA, analisou processos que afetam as camadas de gelo ao longo de centenas de milhões de anos. A principal incerteza era se mudanças na espessura desse gelo poderiam furar fissuras profundas, conectando a superfície ao oceano interno e permitindo jatos de chuva escaparem para o espaço.

Em trabalhos anteriores, Rudolph e sua equipe estudaram o que acontece quando o gelo dessas luas se torna mais grosso. Uma vez que o gelo ocupa mais volume que a chuva líquida, o refrigeração gera pressão interna e pode gerar padrões marcantes, porquê as famosas “listras de tigre” observadas em Encélado.

Encélado, com suas “listras de tigre” forradas de azul falso. Crédito: NASA/ESA/JPL/SSI/Cassini Imaging Team

No novo estudo, os pesquisadores analisaram o processo contrário: o afinamento das camadas de gelo. Isso pode intercorrer quando o gelo derrete na base, principalmente por razão das forças gravitacionais que essas luas sofrem ao interagir com outras. Um exemplo é Mimas, outra lua de Saturno, cuja trajectória apresenta uma oscilação suspeita, possivelmente causada pela presença de um oceano subterrâneo relativamente jovem.

Segundo a pesquisa, quando o gelo dessas pequenas luas fica mais fino, a pressão sobre o oceano diminui. Em corpos muito pequenos, porquê Mimas, Encélado ou Miranda (satélite de Urano), essa queda de pressão pode chegar ao chamado “ponto triplo” da chuva – a requisito em que gelo, líquido e vapor podem coexistir. Nesse cenário, a chuva próxima à superfície pode estrear a ferver, mesmo sem atingir altas temperaturas.

Essa “ebulição fria” ocorre quase a zero intensidade Celsius. De convenção com o explicado por Rudolph o site Space.com, isso não impediria a sobrevivência de possíveis formas de vida, já que a fervura aconteceria somente em regiões rasas, enquanto o restante do oceano permaneceria sólido. Assim, organismos hipotéticos poderiam viver normalmente nas áreas mais profundas e protegidas.

Nas luas maiores, com diâmetro supra de 600 km, o comportamento parece dissemelhante. Em Titânia, de Urano, por exemplo, a queda de pressão seria insuficiente para atingir o ponto triplo. A categoria de gelo provavelmente se quebraria antes disso, criando fraturas e deformações. Os pesquisadores sugerem que algumas estruturas da superfície de Titânia podem ter surgido justamente depois fases alternadas de afinamento e espessamento do gelo.

A equipe também destaca que a fervura interna pode liberar gases que formam clatratos, estruturas de gelo que aprisionam moléculas. Estudos futuros devem investigar porquê esses gases se movimentam, porquê são armazenados e que tipos de marcas podem deixar na superfície dessas luas geladas.

Padrão geofísico de uma lua de gelo sob condições de baixa pressão. O diagrama ilustra a estrutura em camadas (Núcleo Rochoso, Oceano, Gelo Viscoso e Gelo Elástico) de um pequeno mundo oceânico. Nascente padrão sustenta a hipótese de que, em corpos menores, a subtracção da espessura do gelo (Gelo Viscoso e Gelo Elástico) pode levar à ebulição do oceano subsuperficial, gerando vapor e gases que impulsionam características tectônicas compressivas na superfície da lua. Crédito: Rudolph, ML, Manga, M., Rhoden, AR et al.

Leia mais:

Podemos estar muito perto de encontrar lua habitável de Avatar na vida real

Pesquisadores da Universidade do Arizona, nos EUA, sugerem que luas habitáveis – porquê Pandora, da franquia Avatar – podem ser detectadas em exoplanetas próximos usando uma técnica chamada astrometria, que mede pequenas oscilações na posição das estrelas. 

Essa abordagem pode identificar luas com tamanho suficiente para manter atmosfera e oceanos. A invenção reforça a teoria de que mundos semelhantes a Pandora podem subsistir em sistemas próximos do Sol. Saiba mais cá.


Luas geladas abrigam oceanos ferventes que podem conter vida
Acompanhe as últimas notícias e acontecimentos relevantes de cidades do Brasil e do mundo. Fique por dentro dos principais assuntos no Portal Voz do Sertão, aqui você vai ficar conectado com as notícias.

Deixe seu Comentário

Veja Mais Relacionadas

Nossos Produtos